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Dedicado a mim...
Um querido amigo me escreveu este depoimento, que amei:
"da vez primeira que vi ana, não falei nada. das outras vezes também foi assim. mas com o passar do tempo, o apenas 'oi' foi se transformando em conversas e mais conversas. às vezes pessoalmente, na livraria que hoje é apenas uma lembrança. outras, pelo msn, ou até mesmo por e-mail.
o que eu aprendi com ana não cabe nesse pequeno espaço, mas dá para - tentar - rabiscar: ética, responsabilidade, personalidade. outras coisas mais aprendi com ela. mas o mais importante, que jamais poderia esquecer (e não vou) é a verdadeira expressão da palavra amizade.
convivemos alguns poucos meses ao vivo e agora, longe fisicamente, ela faz uma falta do tamanho do mundo".
Obrigada, Michel. Muito, muito grata. Sanca não vai se apagar de minha memória. Muito menos você.
Escrito por Adoradora às 16h03
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Novos rumos na vida me distanciam do virtual,
e alegremente me encharcam de realidade.
Não sinto falta de escrever.
Na verdade, não sinto falta de nada.
Nada.
Escrito por Adoradora às 23h49
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Meu catamarã navega por outras águas
aos meus olhos, turvas;
aos dele, mansas.
Cumpre seu destino
E sequer lamenta o vulto que deixou para trás
no cais
nas pedras do cais
em curta espera
por outra embarcação
que chega, e irá partir
e navega...
Escrito por Adoradora às 21h11
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Ando a ver fantasmas.
Abro os olhos, eles aparecem.
Fecho, estão ali.
Em frente ao espelho,
deparo-me com outro.
Mas esse conheço,
de outros áureos tempos.
Vinde, vinde,
que deixastes saudades...
Escrito por Adoradora às 21h05
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Ao meu garoto
Neste último ano, mesmo distante, vi meu menino crescer. Senti o adulto brotando, e já não sem tempo, pois que ele hoje completa 27 anos e já tem um delicioso fruto com cinco. Percebi sinais de maturidade em textos que trocamos graças à internet. Encontrei uma malícia diferente da que estava acostumada a ver nesse menino. Descobri um profissional se formando, preocupado com o futuro. Vi João preocupado. Vi que ele descobriu que a fada Sininho tinha tomado outros rumos na vida e não mais o perseguia tão de perto, e então ele teve que aprender a voar sozinho. E começou a sentir os tombos, assim como começou a aprender a se levantar. Sozinho.
Escrito por Adoradora às 10h20
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Já que resolveu crescer, menino, é bom estar preparado. Essa vida do lado de cá é dura, complexa, rotineira. Tem vilões muito mais cruéis que o Capitão Gancho. Mas o crocodilo do tic-tac permanece, a todo tempo, nos assombrando perpetuamente, nos rondando, nos lembrando que a vida passa, e muito rapidamente.
Ontem eu tinha 15, hoje tenho 35. Juro, João: foi num instante. Mas sem lamentos: a gente aprende, naturalmente, a lidar com a rotina, com o passar dos dias, com a luta pela sobrevivência. Alguns, mais leves, conseguem fazer tudo isso e ainda se sentirem felizes, fazendo com que os olhos não percam o brilho a cada nova descoberta. Outros, mais densos, só enxergam os obstáculos e os inúmeros motivos existentes – de fato – que trazem mágoa, rancor, desesperança. Conheço os dois tipos, e preferi ser como o primeiro. E espero que você também escolha esse caminho – aliás, a felicidade é mais que um caminho, é um objetivo.
Escrito por Adoradora às 10h20
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Pronto, João, sinto que você finalmente tomou para si o leme de sua vida. Pode parecer às vezes que você não está preparado. Muitas vezes você vai se sentir inseguro. Mas creia em você, na sua capacidade, na sua integridade. Eu creio. Em você.
Meu menino, eu te amo. Demais. E não adianta crescer, não adianta amadurecer, não adianta ficar velho. Para mim, você é e será, sempre, meu menino. E vou te amar sempre, mesmo quando estiver te dando bronca, mesmo quando quiser te esganar. Porque o amor não é feito só de “sim”, de aceitação. É necessário dizer não. Espero que você compreenda meus “nãos”, e espero que um dia você também me diga “não”. Isso é vida, isso é amor, isso é amadurecimento.
Beijos, meu menino. Sê feliz!
Da tua irmãe, Cláudia.
Escrito por Adoradora às 10h19
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Desisto.
a vida que levo não é minha,
não a inventei, não a sonhei,
abri mão das escolhas possíveis,
larguei-me nela, e só.
O orgulho me leva a crer
que ao menos estipulei minhas regras mínimas
- justificativa falsa para uma vida falsa...
Escrito por Adoradora às 02h25
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sou ana de amsterdã
ou uma hera venenosa?
quem sabe a carolina de olhos tristes?
ou a bárbara amante?
a doce luíza?
uma das mulheres de atenas?
será que sou moça, será que sou triste, será que sou de éter? será o contrário?
sou a rosa dos braços ou a lia do barco?
ou sou a anabela que parte para não voltar nunca mais?
sou todas, e não sou nenhuma.
Escrito por Adoradora às 16h12
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Vinicius
Belíssimo filme: Vinicius.
Como pode haver tanta poesia, musicalidade e amor à vida como existia no nosso poetinha?
“Amizade não se faz: se reconhece”
O Vinicius deve ter sido o amigo que todo mundo gostaria de ter. Generoso, amoroso, divertido, em paz consigo e com o mundo. O amigo de confessionário e de bar, ideal para o choro e para a alegria, para revitalizar o que há de mais interessante em nós; o que lembra que a vida é boa sim, mas que a tristeza faz parte dela, e que isso é bonito.
“Que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”
O Poeta amava as mulheres, mas acima de tudo, amava o amor. Vendo as mulheres que teve, as nove com que se casou, sua polêmica defesa à beleza ganha outro sentido, bem mais nobre: a beleza é um conjunto, uma harmonia; e quem não ama isso tudo?
“É melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe”
Vinicius detestava os que preferiam ver o lado negativo da vida. Mas se reconhecia como um aspirante à felicidade, que buscou em tudo: na bebida, nas amizades, nas paixões, na música, no teatro, na poesia. Ciente da dificuldade de ser feliz, consagra a alegria como mandatária de seu destino, e conclama o povo a enxergar as pequenas coisas da vida como grandes bênçãos do dia-a-dia.
“Que seja mortal, posto que é chama; mas que seja infinito enquanto dure”
A coragem de romper barreiras e estigmas no amor marcou a vida de Vinicius. Segundo os amigos, amava como um louco, se inebriava, mergulhava fundo em cada novo despertar do coração. E largava uma pela outra, tão logo percebia-se fisgado mais uma vez. Ele se explica: “quando amo, dou tudo de mim para este amor. Quando ele acaba, é porque não tenho mais nada a dar. Então, para que continuar?”.
Quem pagará o enterro e as flores se eu me morrer de amores?
Todos nós, Poeta, que o amamos.
Escrito por Adoradora às 00h00
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Parece não ter fim o descaramento dessa sociedade que a gente vive.
Ver hoje a imagem de Suzane de jeans e camiseta, sem algemas,
ao lado de seus dois cúmplices pobres, alegemados e com roupas de presidiários,
embrulhou-me o estômago.
A filha que matou os pais é uma garotinha ingênua, dizem seus advogados;
vai ver que a escrota sou eu, que ao invés de matar, amo os meus.
Mas não sou rica.
Escrito por Adoradora às 09h54
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Como é difícil, por vezes, arcar com as responsabilidades das escolhas feitas...
Conseqüências duras demais, exigências demais, consciência demais.
Sem arrependimentos, só que a dor da ausência muitas vezes pesa. Demais.
E esse ar frio me arrebenta. Preciso do brilho do sol. E de seu calor. Preciso.
Escrito por Adoradora às 09h48
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Queixume
Ando me queixando muito da vida, mas sei que estou sendo injusta.
Pensando bem, todas as coisas que estão me incomodando hoje são
frutos de minhas escolhas, das quais não me arrependo, e, por isso mesmo,
não tenho o direito de reclamar. A liberdade exige um preço alto, isso todo
mundo sabe. Mas viver sem liberdade é ainda mais insuportável para mim.
Queixo-me de ter perdido um amor, mas amor verdadeiro não se perde,
e não quero nada falso. Reclamo de ter poucas amizades, mas as que tenho
estão tão vivas e presentes em mim... O trabalho não está do jeito que quero,
mas nada na vida é exatamente como queremos. Falta grana para algumas
coisas, mas sobra para outras.
E vivo. Estou viva, e com o prazer de estar em paz com minha consciência;
a satisfação de ter bons princípios e segui-los, custe o que custar; a alegria de
ser fiel a mim mesma e aos que considero que mereçam minha fidelidade.
Vê? Queixo-me sem razão.
Escrito por Adoradora às 23h54
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Texto do Millôr
"Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação,
chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O.
Ele representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas.
Não necessita ser conectado a nada nem ligado.
É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo!
Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de páginas numeradas, feitas de papel
reciclável e são capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por
um sistema chamado lombada, que as mantém automaticamente em sua seqüência correta.
Através do uso intensivo do recurso TPA - Tecnologia do Papel Opaco - permite que os
fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade
de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade! Especialistas dividem-se quanto
aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer
L.I.V.R.O.s com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os torna mais
grossos e mais difíceis de serem transportados, fato que atrai críticas dos adeptos da portabilidade
do sistema.
Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas
diretamente para a CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que quanto maior e mais
complexa a informação a ser transmitida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.
Outra vantagem do sistema é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite o
acesso instantâneo à próxima pagina. O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer
momento, basta abri-lo. Ele nunca apresenta "ERRO GERAL DE PROTEÇÃO", nem precisa ser
reiniciado, embora se torne inútil caso caia no mar, por exemplo.
Escrito por Adoradora às 16h01
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(continuação...)
O comando "broxe" permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder
com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda vem com o equipamento "índice" instalado,
o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados.
Um acessório opcional, o marca-páginas, permite que você acesse o L.I.V.R.O. exatamente no local
em que o deixou na última utilização, mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos
marcadores de página é total e permite que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. ,
sem necessidade de configuração. Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de
vários marcadores de página, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao
mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com o número de páginas.
Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O., através de anotações em suas margens.
Para tanto, deve-se utilizar de um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação
Simplificada - L.A.P.I.S..
Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. é apontado como o instrumento de entretenimento e
cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema disponibilizaram vários títulos
e upgrades para a utilização na plataforma L.I.V.R.O."
Escrito por Adoradora às 16h00
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